O projeto e a maratona

Apesar de toda a pompa racional, no fundo boa parte de nossas decisões são baseadas em critérios emocionais: nossos sentimentos, vontades e percepções do mundo. Essa característica humana influencia constantemente os projetos de software. Na ansia de ter um projeto bem sucedido as pessoas tomam decisões que o levam na direção oposta. Neste artigo falo sobre alguns desses erros e estratégias para conduzir um projeto inspirados em conceitos de uma boa corridade de maratona.

Começar na frente não significa chegar primeiro

Em uma situação normal a equipe que começou um projeto irá conduzi-lo até o fim. Partindo dessa idéia, é importante dosar a capacidade e o ritmo da equipe de forma que um ritmo mal gerenciado não faça o projeto chegar atrasado, mesmo que ele largue na frente.

Manter o ritmo é fundamental

Podemos imaginar a capacidade produtiva de uma equipe como uma conta bancária. Cada vez que ela gasta energia é debitado um valor dessa conta. Por outro lado, com um ritmo de vida "normal e equilibrado" os valores são naturalmente repostos nesta conta.

Obviamente sempre que um valor é debitado ele precisa ser creditado de volta. Quando a conta fica desequilibrada alguns efeitos negativos começam a aparecer. Nesse caso a produtividade da equipe pode cair bruscamente. Abaixo eu esboço o efeitos de débitos desenfreados e a produtividade da equipe baseado na minha experiência com projetos e pessoas:

stamina

Você pode estar se perguntando o que seria produtividade negativa do gráfico acima. Isso acontece quando o indivíduo, após uma sequência de débitos, mais atrapalha do que ajuda no projeto por causa de decisões incorretas, inclusão de bugs, estresse com outros membros da equipe, etc.

Um outro ponto interessante é que depois de um tempo a produtividade sobe um pouco e se estabiliza. Isso se deve ao fato das pessoas frequentemente se adaptarem ao ambiente e às tentativas de débito.

Dada uma política de horas extras prolongadas, por exemplo, quando a pessoa não consegue mais manter o ritmo ela começa a reformular o uso de suas horas. Uma navegada aqui, um e-mail ali um bate-papo lá e por ai vai. Nesse caso a pessoa consegue manter alguma produtividade, mesmo que abaixo do seu potencial.

A tendência é o mau uso do tempo se tornar uma cultura na empresa. Nesse caso a reeducação é complexa.

Uma corrida no final do projeto ou sprint não faz mal a ninguém

pizza

É claro que em um ambiente saudável uma corrida no final de sprint ou projeto de vez em quando não faz mal a ninguém, podendo de certa forma favorecer a formação e integração da equipe que aprende a lidar em conjunto com situações adversas. Estas situações, obviamente, devem ser conduzidas com uma boa dose de bom humor, pizza e refri.

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